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27 de abril de 2010

O Que Te Faz Feliz??!!

A maioria do "cristãos" que conheço são assim....pensam assim....vive assim!!!!!






Fonte: JvDap



Imagem via: Quote-Book

Tem gente comendo sardinha e arrotando caviar!


Hermes C. Fernandes



Por que os cristãos não admitem o sofrimento?

Você sabe o que é ser traído por alguém em quem confiava cegamente? Eu sei.

Sabe o que é ser exposto publicamente, sendo acusado injustamente por pessoas que você amava profundamente? Eu sei. Sabe o que é preferir calar-se diante das acusações, não por consentir com elas, mas simplesmente para viver exatamente o que você pregava? Eu sei.

Você sabe o que é ser ameaçado de morte à porta da igreja que você pastoreou com tanto amor? Eu sei. Sabe o que é ter que entregá-la ao grupo dissidente por causa de ameaças à sua família? Eu sei.

Você sabe o que é ouvir dos lábios do médico que sua filha que acaba de nascer terá problemas físicos e mentais pro resto da vida? Eu sei.

Você sabe o que é perder tudo da noite pro dia por causa de uma convicção e passar a depender de bolsas de compras de sua sogra? Eu sei. Sabe o que é ter que tirar seus filhos da escola por não poder arcar com os custos? Eu sei.

Sabe o que é ter uma arma apontada no momento em que subia o púlpito pra pregar? Eu sei.

Sabe o que é ter sua casa apedrejada por causa do Evangelho? Eu sei.

Sabe o que é ver sua esposa sofrer terrivelmente a perda de sua mãe e não poder levá-la pra sepultá-la por estar legalmente impossibilitado de voltar ao seu país? Eu sei.

Sabe o que é ser suspenso de comunhão de sua igreja por algo que não fez? Eu sei.

Sabe o que é ver sua casa se encher de água até a altura do peito, perdendo muito daquilo que lhe custou anos de trabalho? Eu sei.

Por que estou colocando tudo isso aqui? Você vai entender.

Certamente há experiências que você tem tido em sua vida que eu sequer sonhei passar por elas.

Por que Deus nos permite viver tudo isso?

Porque o sofrimento visa nos qualificar.

Se não, confira comigo o que dizem as Escrituras.

Isaías profetiza acerca de Cristo, chamando-O de “homem de dores, e experimentado no sofrimento” (Is.53:3). É claro que Seu sofrimento tinha valor expiatório, o que significa que visava em primeiro lugar o bem alheio. Entretanto, Seu sofrimento também tinha como objetivo qualificá-lO para ser tanto nosso Redentor quanto nosso Intercessor. O escritor de Hebreus diz que Jesus, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu e, tendo ele sido aperfeiçoado, veio a ser o autor da eterna salvação para todos os que lhe obedecem”(Hb.5:8-9). Mesmo as tentações pelas quais teve de passar conferiu-Lhe a experiência necessária para que pudesse “compadecer-se das nossas fraquezas” (Hb.4:15). Foi por meio de tudo que passou como ser humano, que Cristo habilitou-Se a “salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:25). Interessante isso… Cristo não vive para Si!

Não há dor humana que Ele desconheça. Quando recorremos à Sua compaixão, Ele sabe exatamente do que estamos falando. Ele já sentiu na pele o que é ser traído, abandonado, escarnecido, ameaçado, espancado, tentado, negado, etc. Por isso é capaz de compadecer-Se de nós. Uma coisa é compreender nosso estado de miséria. A isso chamamos de misericórdia. Outra coisa é ter experimentado nossas dores. A isso chamamos de compaixão. Como Deus, Ele poderia ter misericórida de nós sem ter que descer ao nosso nível. Mas somente como homem Ele poderia compadecer-Se.

E quanto a nós? Por que temos que passar por tanta coisa?

Paulo nos oferece três respostas. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios confessa:“Sei passar necessidade, e também sei ter abundância. Em toda maneira, e em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição” (Fp.4:12-14).

Esta passagem nos oferece a primeira resposta. Nosso sofrimento oferece aos irmãos a oportunidade de “tomar parte” em nossa aflição. Infelizmente nosso orgulho nos faz sentir incomodados quando nossa situação desperta compaixão de outros. Queremos ser sempre pessoas bem-sucedidas que despertem admiração, não compaixão. É por isso que há tanta gente nas igrejas comendo sardinha e arrotando caviar. Mesmo comendo o pão que o diabo amassou, umas preferem ficar caladas, como se tudo estivesse bem, enquanto outras preferem gabar-se do que não têm.

A igreja cristã deveria ser um lugar onde se pudesse compartilhar não apenas nossas boas experiências, mas também nossas necessidades e frustrações. Parece que estamos mais preocupados em vender uma imagem do que em transmitir a verdade. Se não expusermos nossas necessidades, como daremos a outros a oportunidade de exercer o amor?

A segunda resposta que Paulo nos dá está em sua segunda carta aos Coríntios:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos fomos consolados por Deus. Pois as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos. A nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação” (2 Co.1:3-7).

Pode me fazer um favor? Não pule esta parte! Leia e releia atentamente. Aliás, é um favor que você faz a si mesmo.

Pena que os movimentos de prosperidade e fé pareçam ignorar o que Paulo diz aqui. Para muitos, sofrimento é sinal de incredulidade, enquanto para outros é castigo de Deus. Precisamos de uma teologia que leve em conta o fato de que “o que acontece ao ímpio, também acontece ao justo”. A diferença está na maneira como cada um se porta diante do sofrimento. Quem vive uma espiritualidade umbigocêntrica fica a se questionar: O que foi que eu fiz pra merecer isso? Onde está Deus que não intervém? Mas o que vive uma espiritualidade sadia, voltada para o próximo, se pergunta: Em que esta situação pode beneficiar a outros?

Como podemos consolar os que sofrem se nunca passamos pelo que eles estão passando? Se nos portarmos como supercrentes, imunes a todo sofrimento humano, estaremos agravando ainda mais a dor e a culpa de quem sofre. Quando revelamos nossa vulnerabilidade perante nossos irmãos, estamos mostrando que Deus não tem filhos prediletos, e que ninguém está isento de sofrimento neste mundo, independente de nossa posição ministerial ou da “graduação” da nossa fé.

Quando escreveu para os cristãos dispersos por causa da primeira grande perseguição, Pedro declarou: “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo…” (1 Pe. 4:12-13a). “Coisa estranha” é um cristão genuíno que não sofra neste mundo. Afinal de contas, todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm.3:12). A intenção de Paulo e de Pedro é a mesma: consolar os que sofrem. Se está acontecendo com vocês, saibam que já aconteceu ou está acontecendo conosco também.

Deus não nos chamou para o sucesso, mas para a fidelidade à toda prova. Ser bem-sucedido aos olhos de Deus é o mesmo que ser fiel até a morte.

A terceira resposta está em 2 Co.12:9-10:

“Mas ele me disse: A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Pois quando estou fraco, então é que sou forte.”

É o sofrimento que nos ensina a depender inteiramente da graça. Aprendemos o quanto somos fracos, vulneráveis, como “vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Co.4:7). E é aqui que se dá o encaixe perfeito entre nossa insuficiência e a suficiência de Cristo. Chegamos ao ponto de sentir prazer no que deveria nos causar repulsa. Não que o sofrimento em si tenha algum valor, e sim o sofrimento “por amor de Cristo”. Então, que nos persigam! Que nos afrontem! Que nos caluniem! Ou até que nos tirem a vida! Que se cumpra em nós esta palavra:

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Co.4:8-9).

E que assim sejamos impulsionados a depender mais da graça de Deus do que de nossas próprias forças.

Sente-se injustiçado, perseguido, atribulado? Bem-vindo ao clube!


Fonte: Genizah

21 de abril de 2010



imagem via: ampersandamparsand





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16 de abril de 2010

O Olho é a Lâmpada do Corpo


Uma Meditação sobre Mateus 6:19-24


Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A lâmpada [candeia] do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Colocadas entre o mandamento de ajuntar tesouros no céu (6:19-21) e a advertência de que não se pode servir a Deus e ao dinheiro (6:24), estão as estranhas palavras sobre o olho sendo a lâmpada do corpo. Se o olho é bom (literalmente: “simples”), todo o corpo será cheio de luz. Mas se o olho for mau, o corpo será cheio de trevas. Em outras palavras: Como você vê realmente, determina se você está em trevas ou não.

Ora, por que esta afirmação sobre o olho bom e o mau está colocada entre dois ensinos sobre dinheiro? Eu penso que é por causa de uma coisa específica: o que nos mostra se o olho é bom, é como ele vê Deus em relação ao dinheiro e tudo o que este pode comprar. Este é o assunto na primeira parte desta passagem.
Em 6:19-21 o assunto é: você deve desejar a recompensa celestial e não a terrena. O que, em resumo, significa: deseje Deus e não o dinheiro. Em 6:24 o assunto é se você pode servir dois senhores. Resposta: Você não pode servir a Deus e ao dinheiro.

Esta é uma dupla descrição de luz! Se você está ajuntando tesouros no céu e não na terra, você está andando na luz. Se você está servindo a Deus e não ao dinheiro, você está andando na luz.

Entre estas duas descrições da luz, Jesus diz que o olho é a lâmpada do corpo e que um bom olho produz um corpo cheio desta luz. Então, qual é o olho bom que dá tanta luz e o olho mau que nos deixa em trevas?

Uma indicação se encontra em Mateus 20:15. Jesus acaba de dizer, em uma parábola, que aos homens que trabalharam uma hora foi pago a mesma quantia do que àqueles que trabalharam o dia todo, porque o senhor é misericordioso, e além disso, todos eles concordaram com o seu salário. Aqueles que trabalharam o dia todo murmuraram que foi pago muito aos homens que tralharam uma hora. Jesus respondeu com as palavras que são encontradas em Mateus 20:15: "
É mau o teu olho porque eu sou bom? "

Qual é o mau dos olhos deles? O que é mau nos olhos deles, é que eles não vêem a misericórdia do mestre como bela. Elas a vêem como feia, desagradável. Eles não vêem realmente o porquê daquilo. Eles não têm um olho que possa ver a misericórdia como sendo mais preciosa do que o dinheiro.

Agora, traga este entendimento do “olho mau” de novo para Mateus 6:23 e deixe-me determinar o significado do “olho bom”. Qual será o olho bom que nos enche de luz? Será um olho que vê a generosidade do Mestre como mais preciosa do que o dinheiro. O bom olho vê Deus e Seus caminhos como o grande Tesouro na vida, e não o dinheiro.

Você tem um olho bom se você olha para o céu e ama maximizar a recompensa da companhia de Deus ali. Você tem um olho bom se você olha para o Senhor-dinheiro e para o Senhor-Deus, e vê o Senhor-Deus como infinitamente mais valioso. Em outras palavras, o “olho bom” é um olho que avalia, que discerne e que atesoura. Ele não apenas vê fatos sobre o dinheiro e Deus. Ele não somente percebe qual é o verdadeiro e qual é o falso. Ele vê beleza e feiura, detecta valor e inutilidade, discerne o que é realmente desejável e o que é não desejável. A visão do olho bom não é neutra. Quando ele vê Deus, ele O vê como belo. Ele vê Deus como desejável.

Este é o porquê o olho bom conduz ao caminho de luz: ajuntando tesouros no céu, e servindo a Deus e não ao dinheiro. O bom olho é um olho simples. Ele tem um único Tesouro. Deus. Quando isto acontecer em sua vida, você estará cheio de luz.


John Piper

Fonte: Exaltando o Senhor



14 de abril de 2010

12 de abril de 2010

Por favor, seja fora de moda!

Eu escrevi o livro Unfashionable (“Fora de moda” N.T.) para afirmar que os cristãos fazem a diferença nesse mundo quando são diferentes dele; eles não fazem nenhuma diferença ao serem iguais a ele.

Minha maior preocupação (que me levou a escrever o livro) é que muitos cristãos, especialmente na América, parecem estar tão fascinados com sucesso, popularidade, poder e prestígio quanto as pessoas que estão ao seu redor. Materialismo, consumismo, individualismo e narcisismo – ideais culturais que são a antítese da natureza sacrificial do Evangelho – estão prevalecendo tanto dentro da igreja, como fora. É triste que a igreja americana seja mais conhecida por produzir estrelas auto promovidas do que servos humildes.

Se cristãos praticantes fizessem uma lista honesta de quais objetivos e desejos os motivam, descobriríamos que eles não são realmente diferentes do mundo ao nosso redor. Portanto, não temos nenhum direito de apontar o dedo em acusação para aqueles que estão do lado de fora da igreja por conta da situação do mundo atualmente. Muitos estudos mostram que cristãos são praticamente iguais aos não cristãos no que se trata de buscar fama e fortuna. Cristãos querem se adaptar como qualquer pessoa. Então nós, como qualquer pessoa, gastamos nosso tempo, dinheiro e intelecto buscando o que todos estão buscando, seja lá o que for.

O problema é: eu quero ser um grande cristão, e eu quero que você também seja. Eu quero que a igreja esteja cheia de pessoas como Policarpo. Policarpo foi um homem cheio do Espírito; eu quero ser um homem cheio do Espírito. Toda a existência de Policarpo foi dedicada a Deus e seus caminhos ‘fora de moda’. Nada além disso pode explicar sua perspectiva divina durante o momento mais difícil de sua vida. Ele se recusou a desistir e se deixar levar. Para ele, seguir a Deus não era uma piada ou um concurso de popularidade. Era um homem inebriado por Deus que viveu sua vida coram Deo (perante a face de Deus) e que não tinha medo de qualquer coisa que esse mundo pudesse fazer a ele.

Eu não sei você, mas eu não quero brincar com a minha vida. Eu quero largar tudo em nome de Cristo. Eu não quero que minha espiritualidade tenha um quilometro de comprimento e um centímetro de profundidade. Eu quero ter a coragem de não me importar e ser fora de moda. Sinto-me envergonhado por aqueles momentos em que tenho medo de ser ridicularizado em nome de Cristo por que o mundo pode pensar que eu sou muito estranho. Eu quero seguir incansavelmente a Deus e a sua vontade, independentemente do que vão pensar de mim. Quero viver minha vida, como diriam os Puritanos, diante de “uma platéia Única”.

Cristãos que tentam convencer o mundo ao seu redor que não são diferentes em nada, esperando ser aceitos pelos padrões do mundo deveriam se envergonhar. É hora dos cristãos aceitarem o fato de que são pessoas peculiares. Já que os verdadeiros seguidores de Jesus receberam um novo coração e uma nova mente, devemos agir de acordo com um novo padrão, com objetivos e motivações diferentes. Tudo ao nosso respeito – nossa perspectiva sobre riquezas, estilo de vida e relacionamentos – deve ser fundamentalmente diferente do mundo ao nosso redor: “Adoramos o que não podemos ver, amamos o que não podemos tocar, e vivemos pelo que não podemos possuir”. Para o mundo ao nosso redor, isso vai parecer diferente, sem graça, e estranho; passou da hora dos seguidores de Jesus aceitarem isso.


Tullian Tchividjian

Traduzido por Filipe Schulz

Fonte: iPródigo

the difference...



Imagem via: FishForPeople

Paul Washer - Chamada à Contemplação

Paul Washer - Chamada à contemplação from iPródigo on Vimeo.



Fonte: iPródigo

Santidade


A NECESSIDADE DE SANTIDADE

Em último lugar, devemos ser santos porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: “Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira!” (Ap 21.27).

Apelo solenemente a todos quantos lêem essas páginas: como poderemos nos sentir felizes e à vontade no céu, se morrermos destituídos de santidade? A morte não opera automaticamente alguma transformação. O sepulcro não impõe qualquer alteração. Cada indivíduo haverá de ressuscitar com o mesmo caráter com que deu seu último suspiro. Onde será o nosso lugar, se vivermos hoje estranhos à santidade?

Suponhamos por um momento que você tivesse a permissão de entrar no céu sem santidade. O que você faria? Qual prazer você poderia usufruir ali? A qual dentre todos os santos você se achegaria; ao lado de quem você se sentaria? Os prazeres dele não seriam seus prazeres, os gostos deles não seriam os seus gostos, o caráter deles não corresponderia ao ser caráter. Como você poderia sentir-se feliz, se não tivesse sido santo neste mundo?

Atualmente, talvez você prefira a companhia dos negligentes e dos descuidados, dos dotados de mente mundana e dos cobiçosos, dos farristas e dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Porém, não haverá tais tipos de pessoas no céu.

Atualmente, talvez você sinta que os santos de Deus são por demais rigorosos, solenes e sérios. Você prefere evitar a companhia deles. Você prefere evitar a companhia deles. Você não se deleita na sua companhia. Porém, não haverá outro tipo de companhia lá no céu.

Atualmente, talvez pense que a oração, a leitura da Bíblia e o cântico de hinos evangélicos seja algo enfadonho e melancólico, uma atividade estúpida, algo que pode ser tolerado vez por outra, mas não usufruído com satisfação. Talvez você considere o descanso dominical um fardo e uma canseira; você não poderia passar senão uma pequena fração deste tempo adorando a Deus. Lembre-se, entretanto, de que o céu será um interminável descanso dominical. Os seus habitantes descansarão ali, noite e dia, entoando hinos de louvor ao Cordeiro e exclamando: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso”. Como é que um homem profano poderia encontrar prazer numa ocupação como essa?

Você imagina que uma pessoa profana se deleitaria em encontrar-se com Davi, Paulo e João, após uma vida inteira desperdiçada exatamente na prática daquilo contra o que eles falaram? Porventura, ele tomaria um doce conselho com esses personagens e descobriria que tinham muito em comum? Acima de tudo, você imagina que tal pessoa se regozijaria em encontrar-se com Jesus, o Crucificado, face a face, após ter se agarrado aos pecados por causa dos quais Ele morreu; depois de haver amado os seus inimigos e desprezado os seus amigos? Poderia tal pessoa pôr-se de pé diante de Cristo, com toda confiança, unir-se ao coro santo, dizendo: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Antes, você não pensa que os lábios de uma pessoa profana se calariam de tanta vergonha, e que o seu único desejo seria ser expulso dali? Tal indivíduo se sentiria um estranho em uma terra desconhecida, uma ovelha negra em meio ao santo rebanho de Cristo. A voz dos querubins e dos serafins comporiam uma linguagem que ele não seria capaz de entender. O próprio ar lhe pareceria uma atmosfera irrespirável.

Não sei dizer o que outros pensariam a esse respeito, mas, para mim, é claro que o céu seria um lugar insuportável para um homem mundano. Não poderia ser de outro modo. As pessoas podem dizer, de maneira vaga: “Eles têm a esperança de chegar ao céu”. Entretanto, eles assim o dizem por não considerarem o que estão dizendo. Deve haver um certo preparo para a “herança dos santos na luz” (Cl 1.12). Nosso coração precisa estar sintonizado com essa herança. Para chegarmos ao descanso da glória, teremos de passar pela escola do treinamento na graça. Teremos de ser dotados de mente celestial, de gostos celestiais na vida que agora é, porquanto, de outro modo, jamais nos encontraremos no céu.


Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.


Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor Disponibilizado pela Editora Fiel e iPródigo
Fonte: Voltemos ao Evangelho

6 de abril de 2010


imagem via: Joie De Vivre

Legalismo vs. Bem-Aventuranças





"Todo mundo quer fazer algo, quando deveríamos querer ser algo." (Paul Washer)



Fonte: Voltemos ao Evangelho

5 de abril de 2010

Nossa Motivação


O mundo secular nunca compreende a motivação cristã. Confrontados com a questão do que faz dos cristãos pessoas confiantes, os incrédulos sustentam a idéia de que o Cristianismo só atua em defesa dos seus próprios interesses. Eles vêem os cristãos como pessoas que temem as conseqüências de não ser cristão (a religião como um seguro contra incêndio) ou que sentem a necessidade de ajuda e apoio para alcançar seus objetivos (a religião como uma muleta), ou que desejam manter uma identidade social (a religião como uma marca de respeitabilidade). Sem dúvida, todas estas motivações podem ser encontradas entre os membros das igrejas: seria fútil contestar isso. Contudo, assim como um cavalo, quando trazido para dentro de casa, não se torna um ser humano, também uma motivação que visa o seu próprio interesse, quando trazida para dentro da igreja, não se torna algo cristão, nem a santidade será o nome certo para designar as rotinas religiosas, conseqüentemente, motivadas. Aprendo, com o plano da salvação, que a verdadeira força motivadora da vida cristã autêntica não é, nem jamais deve ser, a esperança de ganhar algo, mas o coração cheio de gratidão.

O plano da salvação não apenas me ensina que nada posso fazer para ganhar, aumentar ou estender o favor de Deus, ou evitar a fúria de sua ira, ou arrancar-lhe benefícios, mas também que nunca preciso tentar fazer qualquer uma dessas coisas. O próprio Deus me amou desde a eternidade. Ele mesmo me redimiu do inferno por meio da cruz, renovou o meu coração e me trouxe à fé. Ele mesmo, soberanamente, firmou o compromisso de completar a obra de minha transformação à semelhança de Cristo e levar-me, irrepreensível e glorificado, à sua presença por toda a eternidade. Quando este poderoso amor tiver assumido, portanto, o controle total de levar-me para minha casa na glória, o amor responsivo, nutrido pela gratidão e expresso em ações de graças, deverá brotar espontaneamente como o sentimento que rege minha vida. Serei sábio se pensar e meditar nas maravilhosas misericórdias do plano de Deus.

Um pequeno poema, certa vez ensinado aos adolescentes, fala-me de qual deve ser a minha resposta:

Não tentarei salvar a minha alma, Pois isto já foi feito pelo meu Senhor; Mas trabalharei como qualquer servo Pelo amor do querido Filho de Deus.

O apóstolo Paulo, em Romanos 12, deixa claro que é assim que deve ser. Ele proclama a justiça de Deus (a obra divina de fazer do pecador, para sempre, uma pessoa justa diante de Deus: Rm 1.17; 3.21; 10.3) em sua relação com a expiação histórica (Rm 3.21-26), a eleição eterna (Rm 8.29-39), a vocação pessoal (ou seja, o "chamado" que gera a fé: Rm 1.6; 8.28-30; 9.24) e o lugar dos judeus e gentios na comunidade da Aliança (Rm 9.1-11.36). Agora ele pede aos leitores que respondam da seguinte forma: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus (o texto grego diz "misericórdias" no sentido de atos que expressem misericórdia), que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm 12.1).

Segundo Paulo, os cristãos devem ser induzidos e levados a uma vida consagrada uma vez que conhecem o amor, graça e misericórdia de Deus - a misericórdia da salvação soberana, pela qual Deus perdoa, aceita e exalta o pecador indigno e vil a um preço que lhe é altíssimo. Há uma diferença entre os termos amor, graça e misericórdia de Deus. O amor significa o seu desejo visível de abençoar aqueles a quem vê, como pessoas que não têm nenhum direito de exigir isto dele; a graça significa o seu desejo visível de abençoar aqueles a quem vê, como pessoas que merecem sua rejeição; a misericórdia significa o seu desejo visível de abençoar aqueles, cujo estado ele vê como miserável. O amor expressa a liberdade autodeterminadora de Deus; a graça, o seu favor auto-gerado e a misericórdia, a sua compaixão. Paulo discutiu a questão da misericórdia soberana de Deus para com os pecadores em Romanos 9.15-18 e 11.30-32. É como se dissesse:

"Vocês, que conhecem esta misericórdia em sua própria vida, devem mostrar-se verdadeiramente agradecidos por meio da integridade de seu compromisso com Deus daqui para a frente. Esta integridade é a sua santidade, porque santidade significa entregar-se totalmente a Deus como ele se deu, está se dando e se dará por completo para vocês. E esta integridade agradará a Deus, porque revelará a sua apreciação e afeição por ele, e então será a essência real, ensinada e realizada pelo Espírito, da adoração que lhe prestam".

É importante deixar claro que, assim como o louvor a Deus por sua grandeza transcendente é a base doxológica da santidade, o compromisso de passar a vida expressando gratidão pela graça de Deus, de todas as maneiras possíveis, é a sua base devocional. Qualquer tentativa de reorganizar a vida, que não seja resultado deste tipo de compromisso, não contribui à santidade, ainda que possa ser admirável por outros padrões e a partir de outros pontos de vista.

Portanto, parece claro que, como diziam os puritanos, o coração da santidade é a santidade no coração. O sacrifício santo que agrada ao Senhor é o cristão cujo coração nunca cessa de agradecer-lhe por sua graça. Deus se agrada da pessoa cujo objetivo, dia após dia, é expressar esta gratidão por meio de uma vida dedicada a ele, por ele e para ele, e que constantemente pergunta como o salmista: "Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?" (SI 116.12). Esse cristão foi o escocês Robert Murray McCheyne, que escreveu:

Escolhido, não por ter algo bom em mim;
Despertado da ira para fugir;
Protegido ao lado do Salvador,
Santificado pelo Espírito;
Ensina-me, Senhor, a mostrar nesta terra,
Por meio do meu amor, o quanto sou devedor.
Este é o tipo de cristão que devo procurar ser.

J. I. Packer

Fonte: Josemar Bessa